O homem acorda suando frio...olha para o lado e vê a mulher de costas dormindo. Nua, esta coberta pelo leve lençol. Ele levanta. Caminha descalço e nu até o banheiro. Acende a luz e se olha no espelho. Barba para fazer. Olheiras de noites mal dormidas. Abre a gaveta do armários e apanha algum remédio que enfia na boca e engole junto a água da pia, aproveitando para lavar o rosto. Caminha até a sala do apartamento onde olha a rua e os carros a andar na noite. Mais uma noite chuvosa.
Para ali de frente a janela. A abre e lhe vem um desejo a mente. Veste a calça jogada ao sofá. O tênis gasto e mal cheiroso. A camiseta surrada. Tenta sentir com os dedos como esta o cabelo. Apanha um boné e disfarça o estar descabelado. Apanha a chave do carro. Volta para o quarto e a vê ainda dormindo como um anjo.
Sai devagar com o carro. Ao virar a esquina acelera e sente como é forte o motor daquela belezinha. Passa a mão pelo banco de couro negro e observa o painel que lhe remete todo o saudosismo daquela antiga maquina. O motor V8 parece rugir e o escapamento danificado faz ficar ainda mais nervoso.
Observa as prostitutas e travestis na rua oferecendo seus corpos. Chega ao local desejado. Um bar. Um boteco. Daqueles podres na pior zona da cidade.
Adentra ao local e todos já o conhecem. Uns olham com cara de desprezo e raiva. Outros se afastam e muitos demonstram medo. Mas ele pouco se importa. Mal olha para os lados. Chega ao balcão e girando rápido se senta no banco e pede:
"Me dê uma cerveja e um cigarro"
A cerveja é aberta e servida em copo barato. O cigarro é forte. Marca dos cowboys. Ele vira a embalagem e sorri. O médico o havia alertado. Pare. Corte seus prazeres. Ele sorri novamente sozinho ali sentado. De boa. Cada prazer em seu tempo. Deixa estar como está. Aquele prazer feri outro prazer que pode ferir outro prazer. Ou não. Ele sorri e antes de abrir pede para trocar o cigarro. Outra marca?? Não. A mesma. Só me vê outro. Sorri. Coisa de doido. O sujeito do balcão xinga baixinho. A tempos atrás ele daria um grito e socaria o sujeito até cuspir dentes e sangue. Mas foi esse tempo. Estaria ficando velho?
Gira novamente a embalagem e ri novamente. Abre e retira um cigarro do jeito que fazia quando tinha a outra mão envolvendo uma cintura. Coloca o cigarro na boca. O sujeito do balcão diz: "Mais alguma coisa polícia?"... ele balbucia com o cigarro na boca: "Fósforo."
Acende o cigarro e bebe a cerveja. Cabeça baixa ouve xingamentos. A música entra em sua cabeça. As pessoas falam coisas como se ele não estivesse ali. E ele não esta. Só veio em busca da necessidade e não faz parte daquele mundo.
Fecha os olhos e sente o prazer do fumo e depois o gosto da cerveja. Mal percebe quando lá fora para uma moto e uma caminhonete. Duas pessoas que entram no lugar. Um negro alto. Cabelo rastafari e coturno. Jaqueta de couro. O outro sujeito, forte, cabelo corte militar e cavanhaque.
Passam por ele e se dirigem para as mesas de bilhar. Mas ele viu. Ele esta sempre alerta. Eles passam e ele observa. Ele vê quando o negro quebra um taco de bilhar no joelho e avança para cima de um punk parecendo querer cravar o pedaço de madeira em suas costas. O rapaz é veloz. Num movimento rápido gira, desviando do ataque e acertando uma rasteira no sujeito que cai ao chão levando uma pisada do jovem certeira no rosto.
Toma o ultimo gole de cerveja e apaga a bituca no balcão se levantando. Bate a mão nas costas e se lembra de não ter trazido sua arma. Decide ir embora e evitar um olho roxo. Mas ouve um grito de mulher. Uma garrafa quebrando. Se vira novamente as mesas de bilhar. Caminha em direção. Vê o branco segurando uma garota, com uma garrafa quebrada na mão. Ameaça cortar o rosto da jovem. O punk magrelo o olha furioso e o negro continua caído no chão parecendo temer se levantar diante de tão frágil rapaz. Pensa que o jovem deve ser algum lutador de kung fu ou capoeira pelo belo golpe aplicado.
O branco com a garrafa na mão grita: "Vai seu sanguessuga de merda...vem cá...da uma de herói...vo acabar com o rostinho da sua escravinha aqui"
Ele pensa...bando de drogados...cada um em sua tribo, um não tolera o outro. O negro se levanta e ri diante do rapaz. O taco de snoker quebrado na mão pronto para arrebentar o rosto do jovem. Pego uma cadeira de metal como o nome da cerveja estampado. Deve resolver. Em um giro rápido do braço acerto pelas costas a cabeça do branco em cheio o fazendo soltar a moça e dobrar o joelho. É o tempo para dar um soco de direita certeiro bem na nuca do cara, que o faz beijar o chão.
Vejo o negro partir para cima do rapaz. O garoto é muito rápido. Dá um salto e sobe na mesa de bilhar acertado em seguida um chute numa giratória que acerta em cheio a boca do negro. Depois gira em um chute novamente e acerta de cima da mesa de bilhar a luminária do salão deixando tudo as escuras. Parece mentira mas ele segue o rapaz fugindo no escuro pelos olhos do punk que parecem brilhar no escuro. Ouvindo sons de sirene da policia ele procura deixar o local diante de uma correria danada, mas podendo observar que o punk ainda leva a garota ameaçada junto.
Entra no carro e acelera. Joga o maço de cigarro pela janela direto na sarjeta. Cheira a mão fedendo ao fumo. Estala os dedos e sente uma dor pelo soco aplicado. A algum tempo não acertava um direto como aquele.
Entra. Tira a roupa. A observa dormindo e depois deita do lado olhando para o teto e buscando dormir. A mão ainda dói.
domingo, 2 de agosto de 2009
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