sábado, 1 de agosto de 2009

Silêncio Mortal

Ele anda resmungando...xingando...treme...treme de frio. Seu ténis ensopado e o boné protege sua cabeça, olhos voltados para o chão. Não percebe que chega próximo de um cemitério. Estátuas de anjos e mausoléus. Alta hora. Um silêncio. Um silêncio dos mortos.

Nas costas uma mochila. Livros, estudos e algumas fotografias. Ele as adorava...fotos. A poucos dias esteve ali. Naquele cemitério. Registrou imagens com a câmera antiga que ganhou a pouco tempo. A lente tcheca lhe proporcionava uma qualidade belíssima as imagens, mas sempre lhe trazia um aspecto de algo antigo a mente. Tinha resolvido então fotografar o cemitério e suas tumbas com este ar de passado. De coisa que ficou no tempo e não volta mais. Será que não volta?? Algo corre pelo muro do cemitério...como um gato...mas muito maior...como um homem...que corre parece que deslizando na sombra...

Um sobretudo que se abre e desliza para trás a medida que sua velocidade aumenta a correr o estreito topo do murro do cemitério. Um velocidade assombrosa e silenciosa. Em sua mão trás um bastão...é muito mais que um pedaço de madeira...para melhor pegada estão envolvida por um pano que lhe possibilita manobra-lo com grande destreza...e isso lhe sobra...a ambidestria é clara ao girar o longo bastão com as duas mãos em velocidade espantosa.

Enquanto o rapaz continua a seguir pela calçada extensa do cemitério algo lhe parece estar a sair dos grandes portões negros do cemitério a frente. Mas não é possível...arregala os olhos...os portões estão fechados.

Ouve um zunido...vem de suas costas...como um assobiar ao vento...olha para trás e é tudo muito rápido...somente a lembrança de um homem de sobretudo e um cajado a girar cortando o vento...esta em cima do muro e seu movimento é veloz... em um salto se aproxima lhe acertando com força a cabeça...sente a dor e seus olhos se fecham...

Nenhum comentário:

Postar um comentário