...Volto a consciência...minha cabeça doí...abro os olhos e me vejo em um local escuro...tudo gira...um cheiro estranho...local úmido.
"Olá meu jovem. Que bom que está bem. Achei que o "Bandido" havia lhe batido muito forte."
Olho em frente e vejo o homem que me acertou encostado na parede. O bastão na mão. A parede é úmida e cheia de plantas que crescem se espalhando pela sala mal iluminada.
A voz que me fala é de um homem idoso, com uma barba grisalho e calvo. Ele me lembra muito um professor que havia visto no campus da universidade...mas seus trajes nada se assemelhavam ao terno cinza do professor, era uma roupa como um manto usado pelos bruxos naqueles filmes da idade média.
"Você esteve aqui a dias atrás meu caro jovem. Nós o observamos. E os outros moradores também. De forma menos amigável eles queriam resolver um problema que você criou. Mas eu dei uma solução para tal inquietação. Tudo será resolvido da melhor forma."
O velho fala de forma serena...ouço pingos de uma goteira de água que vem do teto do local...vejo roedores percorrendo por todo lado...estou amarrado em uma cadeira...mal consigo me movimentar. Não entendendo nada do que o velho diz, eu o indago:
"Do que o senhor esta falando? Que problema eu criei? Onde estamos? Quem são vocês e de que moradores está falando?"
Depois de fazer tantas perguntas tomo coragem e solto um grito de desespero: "Socorrooooooooooooooo".....grito com toda minha força.
"Ninguém irá te ouvir. Se acalme, tudo vai se resolver. Bem, vamos começar por mim, me chamo Isaque, eu sou um estudioso...diríamos um pesquisador...estamos em um local abaixo do cemitério...e você esteve aqui dias atrás fotografando...eu preciso da máquina que usa para fotografar."
"Espere ae velhote...Cemitério?? Por acaso vocês são algum tipo de satanistas??? E minha máquina foi um presente...um presente importante....nada vai me fazer entregar ela a vocês...me soltem seus filhas da puta"
Eu começava a ficar nervoso...já imaginava que ia morrer...aquele velho com roupas estranhas e o outro de negro com um pedaço de madeira pronto para rachar minha cabeça...estava desesperado...mas a câmera fotográfica não...era sentimento puro...nada ia me fazer perder ela...olho com toda raiva nos olhos daquele homem que me pediu para entrega-la.
"Bandido, revire a mochila do rapaz e encontre a máquina"
O sujeito abre minha mochila jogada ao chão e a vira derrubando livros e trabalhos da faculdade até encontrar a câmera.
"Bem, aqui está ela. Já tenho o que queria e para que não venha nos importunar e nem se lembre de nós vou fazer com que não se lembre de nada meu caro jovem"
O velho se aproxima de mim olhando fixamente em meus olhos. Parece querer penetrar em minha mente tamanha fixação no olhar. Franzo minha testa e fixo meu olho o encarando com raiva, eu grito com toda minha força tamanha dor que sinto em minha testa...grito que chego a cuspir expulsando toda minha ira:
"NÃOOOOOOOOOOOO"
Foi como se o tempo parasse e me sinto exausto...meus olhos se abrem e vejo o velho a minha frente com um tom de espanto no olhar. O outro homem esta do meu lado a me desamarrar da cadeira.
O velho sorri e diz:
"Você terá sua máquina de volta jovem...terá ela e algo que nunca imaginou ter. Sua luz abrirá sua mente para o obscuro até então escondido"
domingo, 2 de agosto de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário