segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sangue e Prazer

Ele acorda...o gosto agradavel ainda na boca...que loucura. Está nu...ela já se foi. Ele levanta. Esta atrasado como sempre. Vai até o banheiro e suja o rosto com o creme de barbear. A lâmina faz o corte perfeito. Excelente. Entra ao chuveiro. A água é quente e relaxante. As marcas das unhas estão nas costas e no peito. Acaba o banho e se enxuga. O perfume francês espalha pelo corpo. Se veste. Terno, gravata e sapatos italianos. Penteia o cabelo cortado perfeitamente. Coloca a caneta ao bolso. Detalhes em ouro combinando como relógio. Esta impecável. Como sempre gosta de estar assim depois de uma noite de amor. Tudo isto herança de uma época que possuía muita riqueza. Hoje coleciona dividas, mas mantém a aparência. Adentra ao carro novo e reluzente, mas não o agrada como o de tempos atrás. Segue rumo ao trabalho. Um belo trabalho em uma grande empresa, porém sabe que poderia alcançar mais e mais.

Chegou. O prédio em nobre avenida lhe agrada. Adentra ao local sempre simpático cumprimentado a todos. Esta sorridente e acordou de bom humor. Chega a recepção e deseja bom dia as duas secretárias que ali ficam. Sorriso no rosto. Mal sabem elas o que se passa na cabeça do homem.

Ele abre a porta de sua sala e se senta um sua mesa saudando carinhosamente a mulher que senta ao seu lado. Ela é um pouco mais velha que ele. O homem a observa logo cedo trabalhando freneticamente e comendo compulsivamente. Ela é pesada. Ele imagina. Muito pesada. Ele mantém a forma em academia e já treinou artes marciais. Já enfrentou caras pesados. Imagina que seria como a luta tentar possuir ela na cama. Ele ri alto. Que cena bizarra lhe vem a cabeça.

A mulher indaga se havia algum problema acontecendo. Seu mau humor é terrível. Ele diz que não. Só lembrou de uma piada.

Como sempre atrasada e depois de uma noite de balada com certeza, chega a outra mulher. Ela também é mais velha que o homem. Loira, de estatura baixa, magra. O rapaz imagina agora uma luta entre as duas. De biquíni para ficar ainda mais hilário. Ele imagina que esta muito alegre por pensar tanta besteira.

A jovem é loira de longos cabelos e se veste como as patricinhas que desfilam em shoppings combinando cada peça de roupa.

O dia de trabalho flui normal. Contratos para negociações de muito dinheiro. Chega o fim do dia e o celular toca.

Ele atende. É a mulher. A da noite passada. Ao perceber que é ela seu tom de voz muda. Um amigo seu uma vez disse que aquele era o segredo dele com as mulheres, disse que ele falava cantando. As duas moças que junto a ele trabalham percebem que a conversa esquenta. A mulher ao telefone diz coisas que faz o rapaz afrouxar a gravata e ficar vermelho. A gorda parece tensa a cadeira. Digita, enquanto mantém o olhar no rapaz, interessada em tão quente conversa, parece se contorcer na cadeira. A loira retira um vidro de creme para o corpo da bolsa e o aplica em sua pele. Se afasta um pouco da mesa e cruza as pernas sentada, aplicando o creme nos braços, mãos e pescoço.

O rapaz a nada daquilo presta atenção, ouvindo atentamente a mulher ao telefone. Ela lhe passa um local e um horário. Ele diz que vai estar lá. Vem a sua mente a lembrança do gosto de sangue da mulher em sua boca. Saliva. Saliva como um animal sedento por carne. Ela desliga.

Ele fecha o celular. Apanha a chave do carro e veste o paletó. Passa entre as duas mulheres e diz um até amanhã. Mal percebe que as secretárias lhe desejando uma boa noite.

Ele pensa no local que ela disse. É um lugar estranho. Uma área industrial. Ele acha arriscado. Mal conhece a mulher. Pode ser uma cilada. Talvez tivesse achado que aquele homem tivesse uma fortuna. Ele poderia passar em sua casa antes e levar consigo a pistola automática que comprou a tempos atrás e que desde então nunca usou. Mas ele sentia algo muito forte pela mulher. Por mais estranho que parecesse a relação, em seu íntimo confiava nela como se a conhecesse a décadas.

Ele chega ao local um pouco antes. Fábricas abandonadas. Galpões velhos e escuros. Deixa os fárois do carro acesos. Ouve um ronco de motor. Uma moto. Uma moto grande. Negra. Montado nela observa uma mulher e um belo par de pernas longas. Ela veste um longa bota preta. o Vestido é decotado e curto e uma jaqueta completa seu vestuário. Ele reconhece aquelas pernas de pele branca. Os longos cabelos pretos se mostram ao sair do capacete todo negro. Em um movimento ágil a mulher para a moto dando um ultimo ronco de motor e descendo. Retira o capacete e mostra seu lindo rosto. Ele olha a mulher de cima em baixo. Mesmo não tendo ninguém por ali lhe vem um sentimento de ciúmes enorme ao ver como era curto o vestido da mulher. Era da sua natureza.

Antes que dissesse qualquer coisa ela lhe beija a boca. Isso já faz o homem esquecer o que iria dizer.Ela empurra o rosto do homem durante o beijo e se afasta sorrindo. Ela corre para um dos galpões abandonados de uma velha fábrica desativada. Ele corre atrás e ela grita. São gritos misturados a risadas. Ela parece gostar da noite. Não teme a escuridão do local. Ele se perde. Ela parece correr mais rápido do que o normal. Brinca com ele. Se esconde atrás de colunas e lhe mostra o rosto, soltando risadas. Ri como uma menina. É lindo seu sorriso.

Finalmente se deixa pegar. Os dois caem ao chão. Ele a abraça e a beija. Como esperou para reencontrar aquele beijo. Ela diz sorrindo: "Gostou do beijo da vampira meu menino?"... ele diz: "Do beijo, do abraço, de tudo..."..."Pois não queira conhecer meu abraço, e de nenhum outro vampiro. Você será meu homem, e isso não quero perder. Você sentiu saudade do que mais meu anjo?"...a resposta é imediata, ele sabe do que ela diz. "Do seu sangue".

A mulher morde o próprio pulso fazendo pingar sangue. Ele observa a sua boca suja de sangue e os caninos formando presas afiadas. Mas não tem reação de espanto pois o cheiro do sangue invade sua cabeça, lhe aumentando o desejo e fazendo com que sugue o braço da mulher. Ela geme de prazer vendo o homem a se alimentar de seu poderoso sangue. Ela então o afasta com um forte movimento. Se aproxima novamente e lhe despi. O deixa completamente nu. O beija a boca. Caninos prontos para atacar. Suas unhas afiadas correm pelo peito e costas do rapaz fazendo escorrer o sangue que imediatamente é lambido pela mulher. Ela morde o ombro. Um grito do dor e prazer. Sua boca suja de sangue. "Seu gosto é ótimo." Ela o beija a boca. "Sinta seu gosto".

Ele sente o gosto de seu próprio sangue. Ela se despi. Ela é absurdamente linda. Sua beleza é fora do normal. Os dois fazem amor e depois se deitam ao chão sobre as roupas do homem. Ele fica a admirar a beleza da mulher a dormir em seus braços, iluminada pela luz da lua que adentra ao ambiente pela janela de vidros quebrados.

Ele a abraça, parecendo querer aquecer aquela pele fria. Ela sorri de olhos fechados. "Seu sangue já me aqueceu, ele é quente".

Eles adormecem abraçados, mal percebendo que algo se aproxima. Passos silenciosos, tentando chegar o mais próximos sem ser notados. Observavam a algum tempo o casal a fazer amor.

"É o homem que procuramos. Vamos leva-lo"
Seguem em direção ao casal...

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